Dos amores que somem sem somar

Mais um texto do nosso colaborador Milton Schubert :)

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Que atire a primeira pedra quem nunca achou que havia conhecido o cara perfeito. Aquele que você, por livre e espontânea reação do destino, deixou-se levar e conhecer e conhecer-se e conhecê-lo. Aquele que te fazia sorrir por bobagem. Chorar de alegria. Poxa vida, há quanto tempo você não chorava de alegria?
Quem nunca achou que seria pra sempre? Que os braços e os abraços seriam eternos, que o encaixe seria perfeito ao dormir e ao acordar e que a vontade de congelar as horas seria cada vez maior e voraz?
Que atire a primeira pedra que nunca perdeu uma noite de sono. Quem nunca ficou matutando sobre o que fazer para surpreender, que presente dar, a que filme assistir e o que dizer para que tudo fosse milimetricamente calculado e eficaz?
Cara, eu fui assim. Fiz, refiz, construí, surpreendi, conversei por horas para, no fim das contas, o cara sumir. O tempo levar, a água bater e, sei lá, Yemanjá dizer que não era pra mim e que não era pra ser. Eu fui assim e quis dar o meu melhor, mergulhando de ponta, de cabeça, sem quaisquer vestígios de aparelhos de segurança, à espreita e à espera de que, daquela vez, fosse de verdade. E não foi.
A maré levou. Levou pra longe e, hoje, nem da voz me lembro bem. Só me lembro do sorriso. Esse a gente tenta, mas nunca esquece. Frágil e simples, daquele jeito que conquista, arrebata e faz a gente pensar: dessa vez vai.
E aí vem a intimidade, né? Das idas ao banheiro de porta aberta e das confissões da conta bancária no negativo – porque, ah, amor, tô sem grana pra gente sair hoje -, até chegar aos beijos de manhã cedo, de leve por conta do gostinho meio ruim de quem acorda depois de uma noite repleta de goles.
Ele ganhou de goleada. Golpeou-me a facadas como quem sequer plantara sentimento de bondade e de amor em meu peito. E o tempo fez com que o relógio andasse, corresse, voasse. Então se foi, sem se despedir. Daquele jeitinho que, ah, a gente conhece bem.
– Ah, hoje não vai dar pra gente sair. Marcamos semana que vem? Ando tão ocupado.
– Claro, sei como é. Quando você pode?
– Marcamos!
E das marcas que eu levo da vida, esta é só mais uma. É mais um dos amores que a vida levou e que, por favor, por mais que a saudade doa, não quero que a onda traga a mim outra vez.

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7 comentários

  1. Vanessa comentou emabr 11, 2014

    Caracaaaaaaaaaa!!!!!….como essa pessoa me descobriu e relatou minha história? rs. Li e me emocionei com a mensagem. Me identifiquei demais…vivi tudo isso. Mas a vida está aí pra ser vivida e todos os dias, aprendemos a lutar com nosso “Golias” :)

  2. isabela comentou emabr 11, 2014

    Forte Demais!

  3. Gabi comentou emabr 11, 2014

    Um resumo da minha vida até o momento.

  4. blogpartiumundo comentou emabr 11, 2014

    Wow! Texto foda demais!
    Engraçado que, antes de eu encontrar o Victor, eu achava que eu NUNCA encontraria alguem que me fizesse feliz por completo. Ele demorou mas apareceu! rs Por isso eu digo que perder as esperanças não é o melhor remédio!
    Bjoks, casal lindo!
    Carolina Ojeda

  5. Anne comentou emabr 11, 2014

    chorei…simplesmente lindo!

  6. Eetzdinha comentou emabr 21, 2014

    </3

    e agente leva tanto tempo p/ chegar naquele ponto de intimidade que é perfeito…gostoso ate. E bom poder ser vc mesmo sem ter que prender a respiração. Aí ele se vai. Aí não da certo. Aí vc tem que recomeçar… as vezes dói.

    Lindo escrito.

  7. Eetzdinha comentou emabr 21, 2014

    </3

    e agente leva tanto tempo p/ chegar naquele ponto de intimidade que é perfeito…gostoso ate. E bom poder ser vc mesmo sem ter que prender a respiração. Aí ele se vai. Aí não da certo. Aí vc tem que recomeçar… as vezes dói.

    Lindo escrito.